Relacionamento com portadores de deficiência visual (Contribuíção Biblioteca IBC)
Olá, Cristiana
Desculpe a demora, mas como havia lhe prometido, estou encaminhando o
texto sobre como lidar com pessoas cegas. Espero que seja
esclarecedor.
Um abraço
Cris
Relacionamento com portadores de deficiência visual
As pessoas que estabelecem contato com portadores de deficiência
visual, seja de forma ocasional ou regular, revelam-se de um modo
geral inseguras sobre como agir diante das diferentes situações que
possam ocorrer.
É importante, antes de tudo considerar que a convivência em qualquer
nível ou dimensão, constitui tarefa complexa. Implica em negociações,
concessões, acordos e ajustes. Não por outro motivo, todas as
sociedades humanas, em qualquer tempo histórico, trataram de elaborar
e implementar códigos de etiqueta, encarregados de dirigir
harmoniosamente as relações, amenizando o confronto das diferenças,
desafio constante na invenção do cotidiano.
Nos casos onde a diferenciação social se dá através de marcas
inscritas no corpo, tais estigmas podem tornar-se emblemáticas,
enviesando todo processo de interação. Em tais circunstâncias,
desinformação, falta de esclarecimentos, estereótipos e as fantasias
que daí derivam, dificultam ainda mais o convívio com portadores de
deficiência.
A lista que reproduzimos a seguir, sobre o título "Cuidados no
relacionamento com pessoas cegas", é uma espécie de código de etiqueta
no qual a relação com as pessoas portadoras de deficiência visual,
recebe uma orientação básica, desenhada pelo negativo. Dizendo o que
não se deve fazer no contato com o deficiente visual, define-se, em
linhas gerais, um modo de tratamento adequado às interações das quais
ele participa. As possibilidades de interação humana são muito amplas
e as soluções encontradas pelos grupos para o convívio social
harmônico sem dúvida ultrapassam em muito as situações contempladas na
listagem de Robert Atkinson, diretor do Braille Institute of América –
Califórnia. Esta porém, sem dúvida proporciona orientações essenciais
para um primeiro e, eventualmente, duradouro contato, virtude
suficiente para, após adapta-la à realidade cultural brasileira,
republicá-las neste espaço.
01– Não trate as pessoas cegas como seres diferentes somente porque
não podem ver. Saiba que elas estão sempre interessadas no que você
gosta de ver, de ler, de ouvir e falar.
02 – Não generalize aspectos positivos ou negativos de uma pessoa cega
que você conheça, estendendo-os a outros cegos. Não se esqueça de que
a natureza dotou a todos os seres de diferenças individuais mais ou
menos acentuadas e de que os preconceitos se originam na generalização
de qualidades, positivas ou negativas, consideradas particularmente.
03 – Procure não limitar a pessoa cega mais do que a própria cegueira
o faz, impedindo-a de realizar o que sabe, pode e deve fazer sozinha.
04 – Não se dirija a uma pessoa cega chamando-a de "cego" ou
"ceguinho", é falta elementar de educação, podendo mesmo constituir
ofensa, chamar alguém pela palavra designativa de sua deficiência
sensorial, física, moral ou intelectual.
05 – Não fale com a pessoa cega como se fosse surda, o fato de não ver
não significa que não ouça bem.
06 – Não se refira à cegueira como desgraça. Ela pode ser assim
encarada logo após a perda da visão, mas, a orientação adequada
consegue reduzi-la a deficiência superável, como acontece em muitos
casos.
07 – Não diga que tem pena de pessoa cega, nem lhe mostre exagerada
solidariedade. O que ela quer é ser tratada com igualdade.
08 – Não exclame "maravilhoso"... "extraordinário"... ao ver a pessoa
cega consultar o relógio, discar o telefone ou assinar o nome.
09 – Não fale de "sexto sentido" nem de "compensação da natureza" –
isso perpetua conceitos errôneos. O que há na pessoa cega é simples
desenvolvimento de recursos mentais latentes em todas as criaturas.
10 – Não modifique a linguagem para evitar a palavra ver e
substituí-la por ouvir. Conversando sobre a cegueira com quem não
vê, use a palavra cego sem rodeios.
11 – Não deixe de oferecer auxílio à pessoa cega que esteja querendo
atravessar a rua ou tomar condução. Ainda que seu oferecimento seja
recusado ou mesmo mal recebido por algumas delas, esteja certo de que
a maioria lhe agradecerá o gesto.
12 – Não suponha que a pessoa cega possa localizar a porta onde deseja
entrar ou lugar aonde queira ir, contando os passos.
13 – Não tenha constrangimento em receber ajuda, admitir colaboração
ou aceitar gentilezas por parte de alguma pessoa cega. Tenha sempre
em mente que a solidariedade humana deve ser praticada por todos e
que ninguém é tão incapaz que não tenha algo para dar.
14 – Não se dirija à pessoa cega através de seu guia ou companheiro,
admitindo assim que ela não tenha condição de compreendê-lo e de
expressar-se.
15 – Não guie a pessoa cega empurrando-a ou puxando-a pelo braço.
Basta deixa-la segurar seu braço, que o movimento do seu corpo lhe
dará a orientação de que precisa. Nas passagens estreitas, tome a
frente e deixe-a segui-lo, mesmo com a mão em seu ombro.
16 – Quando passear com a pessoa cega que já estiver acompanhada, não
a pegue pelo outro braço, nem lhe fique dando avisos. Deixe-a ser
orientada só por quem a estiver guiando.
17 – Não carregue a pessoa cega ao ajuda-la a atravessar a rua, tomar
condução, subir ou descer escadas. Basta guia-la, pôr-lhe a mão no
corrimão.
18 – Não pegue a pessoa cega pelos braços rodando com ela para pô-la
na posição de sentar-se, empurrando-a depois para a cadeira. Basta
pôr-lhe a mão no espaldar ou no braço da cadeira, que isso lhe
indicará sua posição.
19 – Não guie a pessoa cega em diagonal ao atravessar em cruzamento.
Isso pode faze-la perder a orientação.
20 – Não diga apenas "à direita", "à esquerda", ao procurar orientar
uma pessoa cega à distância. Muitos se enganam ao tomarem como
referência a própria posição e não a da pessoa cega que caminha em
sentido contrário ao seu.
21 – Não deixe portas e janelas entreabertas onde haja alguma pessoa
cega. Conserve-as sempre fechadas ou bem encostadas à parede, quando
abertas. As portas e janelas meio abertas constituem obstáculos muito
perigosos para ela.
22 – Não deixe objetos no caminho por onde uma pessoa cega costuma passar.
23 – Não bata a porta do automóvel onde haja uma pessoa cega sem ter a
certeza de que não lhe vai prender os dedos.
24 – Não deixe de se anunciar ao entrar no recinto onde haja pessoas
cegas, isso auxilia a sua identificação.
25 – Não saia de repente quando estiver conversando com uma pessoa
cega, principalmente se houver algo que a impeça de perceber seu
afastamento. Ela pode dirigir-lhe a palavra e ver-se na situação
desagradável de falar sozinha.
26 – Não deixe de apertar a mão de uma pessoa cega ao encontra-la ou
ao despedir-se dela. O aperto de mão substitui para ela o sorriso
amável.
27 – Não perca seu tempo nem o da pessoa cega perguntando-lhe "Sabe
quem sou eu?"... "Veja se adivinha quem sou?". Identifique-se ao
chegar.
28 – Não deixe de apresentar o seu visitante cego a todas as pessoas
presentes, assim procedendo, você facilitará a integração dele ao
grupo.
29 – Ao conduzir uma pessoa cega a um ambiente que lhe é desconhecido,
oriente-a de modo que possa locomover-se sozinha.
30 – Não se constranja em alertar a pessoa cega quanto a qualquer
incorreção no seu vestuário.
31 – Informe a pessoa cega com relação à posição dos alimentos
colocados em seu prato.
32 – Não encha a xícara ou o copo da pessoa cega até a beirada. Neste
caso ela terá dificuldades em mantê-los equilibrados.
33 – O pedestre cego é muito mais observador que os outros. Ele
desenvolve meios e modos de saber onde está e para onde vai, sem
precisar estar contando os passos. Antes de sair de casa, ele faz o
que toda gente deveria fazer: procura informar-se bem sobre o caminho
a seguir para chegar ao seu destino. Na primeira caminhada poderá
errar um pouco, mas depois raramente se enganará. Saliências,
depressões, ruídos e odores característicos, ele observa para sua
maior orientação.
ROBERT ATKINSON(Diretor do Braille Institute of América, Califórnia)
ADAPTAÇÃO FEITA PELA EQUIPE TÉCNICA DA DIVISÃO DE DOCUMENTAÇÃO E
INFORMAÇÃO DO DEPARTAMENTO TÉCNICO-ESPECIALIZADO E DA DIVISÃO DE
REABILITAÇÃO DO DEPARTAMENTO DE ATENDIMENTO MÉDICO, NUTRICIONAL E DE
REABILITAÇÃO DO INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT, CONTANDO COM A
PARTICIPAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCADORES DE DEFICIENTES
VISUAIS – ABEDEV.
Desculpe a demora, mas como havia lhe prometido, estou encaminhando o
texto sobre como lidar com pessoas cegas. Espero que seja
esclarecedor.
Um abraço
Cris
Relacionamento com portadores de deficiência visual
As pessoas que estabelecem contato com portadores de deficiência
visual, seja de forma ocasional ou regular, revelam-se de um modo
geral inseguras sobre como agir diante das diferentes situações que
possam ocorrer.
É importante, antes de tudo considerar que a convivência em qualquer
nível ou dimensão, constitui tarefa complexa. Implica em negociações,
concessões, acordos e ajustes. Não por outro motivo, todas as
sociedades humanas, em qualquer tempo histórico, trataram de elaborar
e implementar códigos de etiqueta, encarregados de dirigir
harmoniosamente as relações, amenizando o confronto das diferenças,
desafio constante na invenção do cotidiano.
Nos casos onde a diferenciação social se dá através de marcas
inscritas no corpo, tais estigmas podem tornar-se emblemáticas,
enviesando todo processo de interação. Em tais circunstâncias,
desinformação, falta de esclarecimentos, estereótipos e as fantasias
que daí derivam, dificultam ainda mais o convívio com portadores de
deficiência.
A lista que reproduzimos a seguir, sobre o título "Cuidados no
relacionamento com pessoas cegas", é uma espécie de código de etiqueta
no qual a relação com as pessoas portadoras de deficiência visual,
recebe uma orientação básica, desenhada pelo negativo. Dizendo o que
não se deve fazer no contato com o deficiente visual, define-se, em
linhas gerais, um modo de tratamento adequado às interações das quais
ele participa. As possibilidades de interação humana são muito amplas
e as soluções encontradas pelos grupos para o convívio social
harmônico sem dúvida ultrapassam em muito as situações contempladas na
listagem de Robert Atkinson, diretor do Braille Institute of América –
Califórnia. Esta porém, sem dúvida proporciona orientações essenciais
para um primeiro e, eventualmente, duradouro contato, virtude
suficiente para, após adapta-la à realidade cultural brasileira,
republicá-las neste espaço.
01– Não trate as pessoas cegas como seres diferentes somente porque
não podem ver. Saiba que elas estão sempre interessadas no que você
gosta de ver, de ler, de ouvir e falar.
02 – Não generalize aspectos positivos ou negativos de uma pessoa cega
que você conheça, estendendo-os a outros cegos. Não se esqueça de que
a natureza dotou a todos os seres de diferenças individuais mais ou
menos acentuadas e de que os preconceitos se originam na generalização
de qualidades, positivas ou negativas, consideradas particularmente.
03 – Procure não limitar a pessoa cega mais do que a própria cegueira
o faz, impedindo-a de realizar o que sabe, pode e deve fazer sozinha.
04 – Não se dirija a uma pessoa cega chamando-a de "cego" ou
"ceguinho", é falta elementar de educação, podendo mesmo constituir
ofensa, chamar alguém pela palavra designativa de sua deficiência
sensorial, física, moral ou intelectual.
05 – Não fale com a pessoa cega como se fosse surda, o fato de não ver
não significa que não ouça bem.
06 – Não se refira à cegueira como desgraça. Ela pode ser assim
encarada logo após a perda da visão, mas, a orientação adequada
consegue reduzi-la a deficiência superável, como acontece em muitos
casos.
07 – Não diga que tem pena de pessoa cega, nem lhe mostre exagerada
solidariedade. O que ela quer é ser tratada com igualdade.
08 – Não exclame "maravilhoso"... "extraordinário"... ao ver a pessoa
cega consultar o relógio, discar o telefone ou assinar o nome.
09 – Não fale de "sexto sentido" nem de "compensação da natureza" –
isso perpetua conceitos errôneos. O que há na pessoa cega é simples
desenvolvimento de recursos mentais latentes em todas as criaturas.
10 – Não modifique a linguagem para evitar a palavra ver e
substituí-la por ouvir. Conversando sobre a cegueira com quem não
vê, use a palavra cego sem rodeios.
11 – Não deixe de oferecer auxílio à pessoa cega que esteja querendo
atravessar a rua ou tomar condução. Ainda que seu oferecimento seja
recusado ou mesmo mal recebido por algumas delas, esteja certo de que
a maioria lhe agradecerá o gesto.
12 – Não suponha que a pessoa cega possa localizar a porta onde deseja
entrar ou lugar aonde queira ir, contando os passos.
13 – Não tenha constrangimento em receber ajuda, admitir colaboração
ou aceitar gentilezas por parte de alguma pessoa cega. Tenha sempre
em mente que a solidariedade humana deve ser praticada por todos e
que ninguém é tão incapaz que não tenha algo para dar.
14 – Não se dirija à pessoa cega através de seu guia ou companheiro,
admitindo assim que ela não tenha condição de compreendê-lo e de
expressar-se.
15 – Não guie a pessoa cega empurrando-a ou puxando-a pelo braço.
Basta deixa-la segurar seu braço, que o movimento do seu corpo lhe
dará a orientação de que precisa. Nas passagens estreitas, tome a
frente e deixe-a segui-lo, mesmo com a mão em seu ombro.
16 – Quando passear com a pessoa cega que já estiver acompanhada, não
a pegue pelo outro braço, nem lhe fique dando avisos. Deixe-a ser
orientada só por quem a estiver guiando.
17 – Não carregue a pessoa cega ao ajuda-la a atravessar a rua, tomar
condução, subir ou descer escadas. Basta guia-la, pôr-lhe a mão no
corrimão.
18 – Não pegue a pessoa cega pelos braços rodando com ela para pô-la
na posição de sentar-se, empurrando-a depois para a cadeira. Basta
pôr-lhe a mão no espaldar ou no braço da cadeira, que isso lhe
indicará sua posição.
19 – Não guie a pessoa cega em diagonal ao atravessar em cruzamento.
Isso pode faze-la perder a orientação.
20 – Não diga apenas "à direita", "à esquerda", ao procurar orientar
uma pessoa cega à distância. Muitos se enganam ao tomarem como
referência a própria posição e não a da pessoa cega que caminha em
sentido contrário ao seu.
21 – Não deixe portas e janelas entreabertas onde haja alguma pessoa
cega. Conserve-as sempre fechadas ou bem encostadas à parede, quando
abertas. As portas e janelas meio abertas constituem obstáculos muito
perigosos para ela.
22 – Não deixe objetos no caminho por onde uma pessoa cega costuma passar.
23 – Não bata a porta do automóvel onde haja uma pessoa cega sem ter a
certeza de que não lhe vai prender os dedos.
24 – Não deixe de se anunciar ao entrar no recinto onde haja pessoas
cegas, isso auxilia a sua identificação.
25 – Não saia de repente quando estiver conversando com uma pessoa
cega, principalmente se houver algo que a impeça de perceber seu
afastamento. Ela pode dirigir-lhe a palavra e ver-se na situação
desagradável de falar sozinha.
26 – Não deixe de apertar a mão de uma pessoa cega ao encontra-la ou
ao despedir-se dela. O aperto de mão substitui para ela o sorriso
amável.
27 – Não perca seu tempo nem o da pessoa cega perguntando-lhe "Sabe
quem sou eu?"... "Veja se adivinha quem sou?". Identifique-se ao
chegar.
28 – Não deixe de apresentar o seu visitante cego a todas as pessoas
presentes, assim procedendo, você facilitará a integração dele ao
grupo.
29 – Ao conduzir uma pessoa cega a um ambiente que lhe é desconhecido,
oriente-a de modo que possa locomover-se sozinha.
30 – Não se constranja em alertar a pessoa cega quanto a qualquer
incorreção no seu vestuário.
31 – Informe a pessoa cega com relação à posição dos alimentos
colocados em seu prato.
32 – Não encha a xícara ou o copo da pessoa cega até a beirada. Neste
caso ela terá dificuldades em mantê-los equilibrados.
33 – O pedestre cego é muito mais observador que os outros. Ele
desenvolve meios e modos de saber onde está e para onde vai, sem
precisar estar contando os passos. Antes de sair de casa, ele faz o
que toda gente deveria fazer: procura informar-se bem sobre o caminho
a seguir para chegar ao seu destino. Na primeira caminhada poderá
errar um pouco, mas depois raramente se enganará. Saliências,
depressões, ruídos e odores característicos, ele observa para sua
maior orientação.
ROBERT ATKINSON(Diretor do Braille Institute of América, Califórnia)
ADAPTAÇÃO FEITA PELA EQUIPE TÉCNICA DA DIVISÃO DE DOCUMENTAÇÃO E
INFORMAÇÃO DO DEPARTAMENTO TÉCNICO-ESPECIALIZADO E DA DIVISÃO DE
REABILITAÇÃO DO DEPARTAMENTO DE ATENDIMENTO MÉDICO, NUTRICIONAL E DE
REABILITAÇÃO DO INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT, CONTANDO COM A
PARTICIPAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCADORES DE DEFICIENTES
VISUAIS – ABEDEV.

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